quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CLIPPING'S

CURTA METRAGEM "CASAMENTO NEGRO" 
de Sávio Tarso

Photos by Nilmar Lage

JORNAL DIÁRIO DO AÇO                                       Quarta-Feira, 24 de Agosto de 2011
Imagens raras
Primeiro curta de ficção do diretor Sávio Tarso, “Casamento Negro” emociona sem dizer uma só palavra

05/03/2010 - 19h59

 

                                                        Diretor afirma que aprendeu muito com seu primeiro trabalho de ficção

IPATINGA – O céu está negro. De um lado a noiva se arruma para o grande dia. Do outro, o noivo faz o ritual antes de subir ao altar. Na porta da igreja, congado e maculelê para celebrar a festa. Mas o final dessa história está longe do trivial. O primeiro curta-metragem de ficção de Sávio Tarso, “Casamento Negro”, orçado em R$ 90 mil, teve a sua pré-estreia na tarde de ontem, no Teatro Zélia Olguin. Quem quiser conferir o final desse casamento pode comparecer ao lançamento do filme, no próximo dia 12, no teatro do Usicultura, com sessões às 20h e 21h. O filme foi viabilizado através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com apoio da Usiminas.
A história foi inspirada no poema homônimo da poetisa chilena Violeta Parra, na qual narra-se um casório formado só por negros, em um dia negro. No dia do casamento, a noiva passa mal no altar e não consegue realizar o sonho do matrimônio. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente na bilheteria do teatro.
Sem diálogo
Nos 20 minutos do curta é possível perceber a presença do barroco e o contemporâneo de maneira harmônica. Para isso, o diretor Sávio Tarso nem precisou usar diálogos. As imagens, marcadas pela fotografia que remete aos antigos retratos retocados por retratistas, embaladas por uma trilha afinada que mescla o instrumental com o rock pesado, dizem tudo. Destaque para a narração imponente de ninguém menos que Maurício Tizumba, com texto de Sávio Tarso.

Noivos
A atuação da noiva, interpretada por Sâmyla Cristina, encontrada pelo diretor em um supermercado, surpreende e emociona. Sem dizer uma só palavra, Sâmyla meche com o expectador ao incorporar o clássico retrato da noiva, que lembra muito Billy Holiday. Matisael Lima também surpreende em sua primeira atuação no cinema ao viver o noivo, um feiticeiro e um terceiro papel que é surpresa. Ele, que tem onze anos de teatro, se supera ao lançar para público por meio dos planos fechados olhares e gestos que dizem mais do que palavras.
Fotografia
A fotografia do filme é um show à parte. Sávio Tarso contou que a fotografia foi inspirada em dois tipos. “Aquelas de imagens de quadros antigos com figuras religiosas e a outra são aqueles retratos de pessoas que eram retocadas pelos retratistas. São imagens populares e artesanais”, disse.
Essa escolha também está relacionada com a vida pessoal do diretor. “Quando eu era pequeno minha mãe me chamava para tirar uma foto uma vez por ano. Então as imagens de minhas infâncias são raras. No filme também queria mostrar imagens raras e não as descartáveis. Por isso não quis colocar diálogo. As imagens são mais importantes”, declarou Sávio Tarso. A direção de fotografia ficou a cargo de Ricardo Lima. As cenas foram gravadas na igreja do Ipaneminha, zona rural de Ipatinga, em Antônio Dias, no teatro Zélia Olguin e no Alto Morro do bairro Santa Mônica. Estreias
A realização do curta-metragem é uma estreia não só para Sávio Tarso, como para o restante da equipe envolvida no processo de produção, que contou com cem pessoas. Com apenas 17 anos e sem nunca ter trabalhado com dramaturgia, Sâmyla demonstrou um grande talento. “Minha vida mudou depois das filmagens. Muita gente na escola hoje me para e pergunta sobre quando o filme irá estrear. Aprendi que atuação é um exercício de concentração. Vai ser uma experiência inesquecível”, declarou.
Apesar de larga experiência nos palcos, o filme foi um desafio para Matisael Lima. “Interpretar o noivo é se vestir de um personagem que tem uma paixão arrebatadora que não se concretiza. Nem ao menos tem contato com a amada. Não existia um toque para servir de suporte para essa paixão. Com o feiticeiro eu vibrei muito por dentro. Atuar para filme é muito diferente. Foi uma experiência nova para todos. O resultado foi gratificante”, relatou Matisael. Criatividade
Conhecido por suas produções em formato documentário, o diretor e historiador Sávio Tarso disse que o grande diferencial da ficção é o processo criativo. Nesse sentido, ele ressaltou o empenho da equipe de produção formada por talentos regionais, e resumiu seu sentimento em relação ao filme assim: “Não sei se fiz uma coisa boa. Sei que estou feliz demais”. Sávio também acredita que seu trabalho pode atrair mais pessoas da região para fazerem cinema. “Foi um grande aprendizado. O melhor é saber que daqui a dez anos, com essa tendência de descentralização dos recursos para a cultura, os fomentadores vão descobrir aqui grandes realizadores”, frisou.
Novo filme será policial
Sávio Tarso gostou da experiência de fazer ficção e já planeja seu próximo filme. “O projeto chama-se Duas Sombras. No filme quero fazer uma homenagem aos grandes bandidos. O enredo conta a história de dois bandidos que trocam de alma. O que você faria se fosse seu pior inimigo? Essa é a história. Mas ainda dependemos de recursos”.
Repórter : Polliane Torres

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